Cobrança da ANM contra a Vale pode garantir mais de R$ 800 milhões para Itabira; saiba mais
Agência Nacional de Mineração cobra R$ 17,7 bilhões da mineradora por diferenças no recolhimento da CFEM entre 2017 e 2022; levantamento aponta que Itabira seria o município mais beneficiado em Minas Gerais

Itabira poderá receber mais de R$ 800 milhões caso seja confirmada a cobrança de R$ 17,7 bilhões feita pela Agência Nacional de Mineração (ANM) contra a Vale por diferenças no recolhimento da Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM). Se os valores forem mantidos ao fim dos processos administrativos e judiciais, o município será o que receberá a maior parcela dos recursos destinados às cidades mineradoras de Minas Gerais.
As notificações foram publicadas pela ANM na quarta-feira (6) e apontam diferenças no recolhimento da CFEM entre novembro de 2017 e dezembro de 2022. Do montante total cobrado da mineradora, R$ 5,4 bilhões estão relacionados às operações realizadas em Minas Gerais, enquanto o restante corresponde às atividades da empresa no Pará. Segundo a agência, a cobrança decorre de divergências identificadas na base de cálculo utilizada pela Vale em exportações de minério de ferro.
A estimativa dos valores que poderão ser destinados a cada município mineiro foi elaborada pelo site O Fator, com base nas notificações emitidas pela ANM. Para chegar aos números, o levantamento considerou a regra atual de distribuição da CFEM, que destina 60% da arrecadação aos municípios produtores, projetando quanto cada cidade poderá receber caso a cobrança seja confirmada.
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Municípios mineiros
Pelos cálculos publicados pelo O Fator, os municípios de Minas Gerais têm direito, juntos, a aproximadamente R$ 3,2 bilhões. Nesse cenário, Itabira aparece na primeira posição, com previsão de receber R$ 822.627.649,02, o maior valor entre todas as cidades do estado contempladas pelo levantamento.
Na sequência aparecem:
Valores individuais
- Itabira: R$ 822.627.649,02;
- Nova Lima: R$ 460.852.141,61;
- Mariana: R$ 449.466.698,05;
- São Gonçalo do Rio Abaixo: R$ 399.779.301,79;
- Brumadinho: R$ 26.220.544,27;
- Santa Bárbara: R$ 3.480.491,14;
- Rio Piracicaba: R$ 2.429.054,92;
- Barão de Cocais: R$ 781.645,91.
Também há valores vinculados a títulos minerários compartilhados entre municípios, cuja divisão ainda dependerá da definição dos processos:
Valores compartilhados
- Itabirito e Nova Lima: R$ 722.060.708,29;
- Catas Altas e Mariana: R$ 184.439.592,34;
- Congonhas e Ouro Preto: R$ 117.681.323,88;
- Brumadinho e Sarzedo: R$ 31.212.631,95;
- São Gonçalo do Rio Abaixo e Barão de Cocais: R$ 15.053.351,22.
Vale contesta cobrança
Em nota, a Vale informou que realiza regularmente o recolhimento da CFEM e afirmou seguir as normas aplicáveis e os limites constitucionais vigentes. A mineradora também declarou que considera improcedentes as cobranças apresentadas pela ANM.
Segundo a empresa, as informações sobre o recolhimento dos royalties constam em suas demonstrações financeiras consolidadas de 2025 e no formulário de referência divulgado no fim de julho.
Em comunicado ao mercado, o vice-presidente de Finanças e Relações com Investidores da Vale, Marcelo Feriozzi Bacci, afirmou: “A Vale acredita que as cobranças citadas não procedem e irá se manifestar oportunamente perante as autoridades competentes”.