Entenda as discussões sobre a possível saída de Agnelli da Vale
Presidente da Vale desde 2001, Roger Agnelli pode estar prestes a deixar o comando da mineradora, segundo especulações do mercado. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, estaria trabalhando pela substituição do executivo em nome do governo. A campanha pela saída de Agnelli começou ainda em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando, durante a […]
A campanha pela saída de Agnelli começou ainda em 2008, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva, quando, durante a crise econômica, a Vale demitiu quase 2 mil trabalhadores, medida que irritou o governo. Até aquele momento, o presidente e Agnelli mantinham uma relação próxima.
Em 2009, Lula criticou a Vale, defendendo que a empresa precisava exportar mais valor agregado, não apenas minério de ferro.
Boatos sobre a demissão de Agnelli ganharam força em algumas situações, mas foram sempre negados pela mineradora. Em janeiro, a Vale chegou a informar, em nota, que, “não se encontra em discussão entre os referidos acionistas a substituição do diretor-presidente da companhia”.
Nos últimos dias, os rumores da saída de Agnelli retornaram, depois que vieram à tona informações de que Mantega teria se encontrado com o presidente do Conselho de Administração do Bradesco, Lázaro Brandão, para pedir apoio à troca do comando da mineradora. O banco, por meio da Bradespar, é um dos principais acionistas da empresa.
Nesta sexta-feira, Agnelli, se pronunciou, por meio de nota, dizendo não ter "envolvimento com qualquer questão política" relativa ao assunto. “A decisão sobre a escolha do diretor-presidente da Vale compete exclusivamente aos acionistas controladores da empresa. O que tenho feito nos últimos dias é o mesmo que fiz ao longo de toda a minha carreira: trabalhar", disse.
O mercado teme que haja interferência política na Vale que, sob o comando de Roger Agnelli, chegou à posição de segunda maior mineradora do mundo e maior exportadora brasileira. Em 2010, a empresa registrou lucro de R$ 30,1 bilhões, “o maior da história da mineração”, segundo a companhia.
A preocupação é que a mineradora possa orientar suas ações mais para atender aos objetivos do governo, prejudicando os acionistas. Apesar disso, as ações da Vale encerraram a semana praticamente estáveis.
Os ’donos’ da Vale
O principal acionista da Vale, com 53,5% das ações ordinárias (com direito a voto) é a Valepar. A Litel, formada pelos fundos de pensão, tem, por sua vez, 49% da Valepar. A Bradespar, comandada pelo Bradesco, tem outros 21,21%; enquanto o Mitsui e o BNDESpar têm, respectivamente, 18,24% e 11,51% da controladora da Vale.
Com informações da Agência Estado