Consumo de importados deve crescer 20% no Natal deste ano

  Francisco Massiaggia, ao lao da mulher Carmen: "Não senti nenhuma diferença no bolso"   Os importados vão invadir as prateleiras do varejo no país e serão a grande vedete do Natal este ano. O crescimento do emprego e da renda – que dá mais poder de compra ao consumidor – tornou-se o principal motor […]

Francisco Massiaggia, ao lao da mulher Carmen: ’Não senti nenhuma diferença no bolso’ (Beto Magalhães/EM/D.A Press)  
Francisco Massiaggia, ao lao da mulher Carmen: "Não senti nenhuma diferença no bolso"
 

Os importados vão invadir as prateleiras do varejo no país e serão a grande vedete do Natal este ano. O crescimento do emprego e da renda – que dá mais poder de compra ao consumidor – tornou-se o principal motor para acelerar a venda de produtos estrangeiros (já atrativos há algum tempo por causa do câmbio valorizado) neste fim de ano. A previsão é que o volume de importados aumente, no mínimo, 20% em relação a 2009, segundo a Associação do Comércio Exterior do Brasil (AEB). Analistas garantem também que a variedade das ofertas será grande. O consumidor, porém, não deve esperar nenhum alívio no bolso. Com a demanda aquecida, os importadores não veem motivos para baixar os preços.

A cotação atual da moeda americana (R$ 1,71, ontem) está cerca de 15% menor do que em 31 de dezembro de 2009. “Além da taxa de câmbio ter caído muito em relação ao Natal do ano passado, os grandes exportadores estão dando desconto para vender mais em função da crise que enfrentaram em 2008. Só que isso não significa que o desconto vai ser repassado ao consumidor”, diz o vice-presidente da AEB, José Augusto de Castro.

Os consumidores também não acreditam que vão ganhar um presente do Papai Noel com a baixa do dólar. O aposentado Francisco Massiaggia, que compra produtos importados no dia a dia, acha que os ingredientes da ceia natalina não devem apresentar queda no preço. “Mesmo com a valorização do real e com o dólar a nosso favor, ainda não senti nenhuma diferença no bolso. O aumento na demanda acaba fazendo tudo encarecer", opina.

De acordo com Castro, as importações brasileiras cresceram em média 45% nos últimos doze meses e a tendência é que mantenham o ritmo até o Natal. Além dos setores que sempre despontam entre os importados, como eletroeletrônico e alimentício, este ano a previsão é que brinquedos estejam entre as vedetes.

“O câmbio ajuda, mas o fator principal é o forte crescimento doméstico. Ele é preponderante para explicar a alta das importações. Com a expansão da absorção doméstica (consumo mais investimento) em quase 11% até o fim do ano, fica difícil imaginar que não haja expansão muito expressiva das importações”, afirma o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale. Castro, da AEB, ainda acrescenta que a demanda interna elevada e o crédito farto vão fazer que os consumidores brasileiros tenham o melhor e mais farto Natal dos últimos anos. “Os efeitos colaterais dos importados no mercado nacional são ótimos para o consumidor. Já para a indústria nacional, não se pode dizer o mesmo”, afirma.

O aumento da aquisição de importados foi citado como uma das prioridades para as compras de fim do ano por 7,4% dos lojistas, segundo pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Estado de Minas Gerais (Fecomércio Minas). De acordo com a coordenadora do Departamento de Economia da entidade, Silvânia de Araújo, os empresários estão investindo nos estoques apostando no crescimento das vendas.

Os importadores também estão rindo à toa. “O clima está muito receptivo para os negócios de fim de ano”, explica o diretor comercial da Costazzurra, Fernando Andreotti. Segundo ele, os negócios da Costazurra, importadora de vinhos e alimentos em geral, vão ficar acima da média nacional. “Nos últimos três anos, estamos crescendo a uma média de 40% ao ano e a tendência é manter esse ritmo até o Natal”, afirma. Para ele, o câmbio favorável está levando a classe C a ter acesso a produtos mais nobres, com preço abaixo de R$ 20.

Na loja de brinquedos B.Mart a previsão é de crescimento de 20% das vendas em relação ao Natal de 2009. A gerente da loja no shopping Diamond Mall, Carmen Lúcia da Paz, garante que a oferta de importados é bem maior que no ano passado. A grande aposta para o Natal é o Plas Macar, um brinquedo importado da China. O preço de R$ 219,99 tem agradado aos consumidores. A pequena Helena Comelli Graeff, de 5 anos, adorou brincar com o Plas Macar. “Quando chegam novidades, as crianças enlouquecem. Se o preço estiver valendo a pena, acabo comprando", contou a mãe de Helena, a farmacêutica Simone Graeff.