Minério vaza e contamina rio na Zona da Mata, em MG

Um vazamento no mineroduto 2 da Samarco, em Espera Feliz, na Zona da Mata, interrompeu a captação de água no município, que tem 6 mil habitantes, e deixou em alerta outras 11 cidades do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O mineroduto tem 396 quilômetros de extensão e conduz polpa de minério de ferro […]

Um vazamento no mineroduto 2 da Samarco, em Espera Feliz, na Zona da Mata, interrompeu a captação de água no município, que tem 6 mil habitantes, e deixou em alerta outras 11 cidades do Espírito Santo e do Rio de Janeiro. O mineroduto tem 396 quilômetros de extensão e conduz polpa de minério de ferro entre Mariana, na região Central de Minas, e Anchieta, no Espírito Santo.

O vazamento aconteceu no trecho onde a tubulação passa pelo Rio São Sebastião, na Zona rural de Espera Feliz, deixando a água com uma cor escura e provocando a morte de milhares de peixes.

O acidente foi percebido pela Samarco Mineradora por volta das 4 horas de domingo (25) devido à queda na pressão da tubulação, mas o ponto exato do rompimento só foi descoberto pela brigada da Prefeitura de Espera Feliz cinco horas depois. Para chegar ao ponto do vazamento, foi preciso desviar o leito do rio. Ainda não há previsão para o término do trabalho. Segundo a Samarco, uma investigação foi iniciada para verificar as causas do acidente.

De acordo com o secretário de Meio Ambiente de Espera Feliz, Renato Milhiolo, não há informações sobre a quantidade de material – uma mistura de minério de ferro, amido e cal – que escapou para o rio, mas, como o Rio São Sebastião se junta ao Rio Caparaó e segue passando por cidades capixabas e fluminenses, o dano ambiental poderá se estender a outros municípios. Equipes de Defesa Civil dessas cidades já foram informadas e vão acompanhar possíveis alterações na cor da água ao longo dos próximos dias.

Nesta segunda-feira, mais de 24 horas após o vazamento, o São Sebastião parecia um “rio de chocolate”, apesar de a análise da água mostrar que a turbidez baixou de 1.600 NTUs (unidades de turbidez) para 160 NTUs. Embora a Samarco garanta que a polpa de minério não é tóxica, Renato Milhiolo informa que a Copasa decidiu interromper a captação de água até que a turbidez atinja o índice ideal, que varia entre 15 e 20 NTUs.

Para evitar a falta de água nos domicílios, a Samarco enviou caminhões pipa a Espera Feliz, mas, segundo a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, até o início da tarde de ontem o abastecimento não havia sido prejudicado. Os reservatórios da estação de tratamento estavam cheios. Mas se a captação não for retomada, a falta de água não está descartada.

O coordenador regional da Defesa Civil do Norte e Nordeste Fluminense, coronel Moacir Pires, vistoriou o local do acidente. Ele acredita que no trecho de 70 quilômetros entre o ponto de vazamento e Bom Jesus de Itabapoana, onde o Rio São João deságua no Rio Itabapoana, a vazão será suficiente para diluir a polpa de minério. “Vamos acompanhar o deslocamento da mancha e manteremos a análise da água”, disse ele.

Em nota oficial, a Samarco informou que, tão logo o vazamento foi detectado, o bombeamento foi interrompido e as equipes de reparo, mobilizadas. “A equipe técnica da Samarco já se encontra no local e todas as medidas para sanar os impactos causados pelo vazamento serão tomadas”, garantiu a empresa.

A Samarco produz pelotas de minério de ferro para a indústria siderúrgica, operando em duas unidades industriais. Uma fica na mina de Germano, em Mariana, e a outra em Ponta Ubu, município de Anchieta. Para transportar o minério entre os dois pontos, o mineroduto corta 25 municípios.

Fotos: Divulgação/ P.M. de Esperança Feliz.