Salário de iniciantes cresce mais no interior

Percorrer os 25 quilômetros que separam os municípios de Paula Cândido e Ubá, na Zona da Mata mineira, em busca de emprego representou uma guinada na vida de Edmar Teixeira, de 20 anos. Com a viagem, ele trocou o trabalho nas lavouras de café pelo cargo de auxiliar de embalagem numa fábrica de colchões em […]

Percorrer os 25 quilômetros que separam os municípios de Paula Cândido e Ubá, na Zona da Mata mineira, em busca de emprego representou uma guinada na vida de Edmar Teixeira, de 20 anos. Com a viagem, ele trocou o trabalho nas lavouras de café pelo cargo de auxiliar de embalagem numa fábrica de colchões em franca expansão. Foi a primeira oportunidade de ver a carteira de trabalho assinada, sensação que quatro primos já haviam experimentado na mesma empresa, e, melhor ainda, num cenário de crescimento dos salários de ingresso no mercado formal.

A remuneração média no primeiro emprego com registro em Minas Gerais subiu 21,8% entre 2005 e o ano passado, descontada a inflação medida pelo INPC do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para quem pensava em deixar o interior, a boa notícia é que pode valer a pena abandonar o sonho de trabalhar na capital, onde o aumento não passou dos 14,6%, também descontada a variação do custo de vida. Em 20 cidades que exercem influência sobre praticamente todas as regiões do estado, os índices de crescimento real dos vencimentos ganharam longe das oportunidades em BH e região metropolitana, saindo de 16,8% em Divinópolis até 36,1% em Ubá, portanto, quase duas vezes e meia o desempenho observado em BH. Os índices foram calculados com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – mapa do emprego formal no país – do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os números retratam o rendimento médio real das pessoas admitidas no primeiro emprego com carteira no comércio, na indústria e nas empresas prestadoras de serviços, das funções de menor qualificação aos trabalhadores especializados, com o ensino superior completo. O auxiliar de embalagem Edmar Teixeira conquistou a chance de usufruir das garantias sociais do emprego formal há apenas cinco meses e poderá se beneficiar da retomada da economia. “Na roça, o serviço é mais pesado e dura só três meses”, diz.

Com 1,1 mil empregados, a empresa que contratou Edmar, a Paropas, é uma das grandes indústrias de Ubá que chega a pagar salários R$ 200 acima do mínimo, o que atrai gente que vivia da agricultura, conta o gerente de recursos humanos da fábrica, Carlos Pinto da Silva. Passados os 90 dias de experiência, os funcionários da produção, incluindo os de primeiro emprego, recebem R$ 766 mensais. Os planos de expansão da fábrica de colchões preveem a construção de uma unidade para fabricação de móveis de madeira. Até o início de 2012, pelo menos 200 novos postos de trabalho devem ser criados.

Principal atividade econômica em Ubá, com 99,7 mil habitantes, a indústria de móveis mantém 30 mil empregos diretos e terceirizados. “O principal motivo da expansão salarial é o crescimento do setor”, diz Michel Pires, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), que congrega fábricas de outros sete municípios. Há algo, no entanto, além do crescimento da renda do brasileiro nos últimos cinco anos para explicar o bom desempenho dos salários.

As cidades polos do interior de Minas receberam novos investimentos, muitas delas se diversificaram e os novos negócios levaram dinamismo ao comércio e aos serviços, elevando a renda real dos trabalhadores, observa Antônio Braz de Oliveira e Silva, analista do IBGE em Minas. “São fatores de desenvolvimento, embora a evolução dos salários também dependa de questões como a produtividade da mão de obra”, afirma.

O deslocamento de grandes empresas com espaço limitado para crescer na Grande BH e a influência maior dos reajustes do salário mínimo no mercado de trabalho do interior, tendo em vista as remunerações menores pagas fora da capital, ajudam a entender a evolução maior dos salários, destaca o economista Mário Rodarte, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Algumas empresas buscam atrair talentos, ou retê-los, incrementando o salário de entrada no mercado formal”, observa.

Salário de iniciantes cresce mais no interior

Percorrer os 25 quilômetros que separam os municípios de Paula Cândido e Ubá, na Zona da Mata mineira, em busca de emprego representou uma guinada na vida de Edmar Teixeira, de 20 anos. Com a viagem, ele trocou o trabalho nas lavouras de café pelo cargo de auxiliar de embalagem numa fábrica de colchões em […]

Percorrer os 25 quilômetros que separam os municípios de Paula Cândido e Ubá, na Zona da Mata mineira, em busca de emprego representou uma guinada na vida de Edmar Teixeira, de 20 anos. Com a viagem, ele trocou o trabalho nas lavouras de café pelo cargo de auxiliar de embalagem numa fábrica de colchões em franca expansão. Foi a primeira oportunidade de ver a carteira de trabalho assinada, sensação que quatro primos já haviam experimentado na mesma empresa, e, melhor ainda, num cenário de crescimento dos salários de ingresso no mercado formal.

A remuneração média no primeiro emprego com registro em Minas Gerais subiu 21,8% entre 2005 e o ano passado, descontada a inflação medida pelo INPC do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para quem pensava em deixar o interior, a boa notícia é que pode valer a pena abandonar o sonho de trabalhar na capital, onde o aumento não passou dos 14,6%, também descontada a variação do custo de vida. Em 20 cidades que exercem influência sobre praticamente todas as regiões do estado, os índices de crescimento real dos vencimentos ganharam longe das oportunidades em BH e região metropolitana, saindo de 16,8% em Divinópolis até 36,1% em Ubá, portanto, quase duas vezes e meia o desempenho observado em BH. Os índices foram calculados com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) – mapa do emprego formal no país – do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os números retratam o rendimento médio real das pessoas admitidas no primeiro emprego com carteira no comércio, na indústria e nas empresas prestadoras de serviços, das funções de menor qualificação aos trabalhadores especializados, com o ensino superior completo. O auxiliar de embalagem Edmar Teixeira conquistou a chance de usufruir das garantias sociais do emprego formal há apenas cinco meses e poderá se beneficiar da retomada da economia. “Na roça, o serviço é mais pesado e dura só três meses”, diz.

Com 1,1 mil empregados, a empresa que contratou Edmar, a Paropas, é uma das grandes indústrias de Ubá que chega a pagar salários R$ 200 acima do mínimo, o que atrai gente que vivia da agricultura, conta o gerente de recursos humanos da fábrica, Carlos Pinto da Silva. Passados os 90 dias de experiência, os funcionários da produção, incluindo os de primeiro emprego, recebem R$ 766 mensais. Os planos de expansão da fábrica de colchões preveem a construção de uma unidade para fabricação de móveis de madeira. Até o início de 2012, pelo menos 200 novos postos de trabalho devem ser criados.

Principal atividade econômica em Ubá, com 99,7 mil habitantes, a indústria de móveis mantém 30 mil empregos diretos e terceirizados. “O principal motivo da expansão salarial é o crescimento do setor”, diz Michel Pires, presidente do Sindicato Intermunicipal das Indústrias do Mobiliário de Ubá (Intersind), que congrega fábricas de outros sete municípios. Há algo, no entanto, além do crescimento da renda do brasileiro nos últimos cinco anos para explicar o bom desempenho dos salários.

As cidades polos do interior de Minas receberam novos investimentos, muitas delas se diversificaram e os novos negócios levaram dinamismo ao comércio e aos serviços, elevando a renda real dos trabalhadores, observa Antônio Braz de Oliveira e Silva, analista do IBGE em Minas. “São fatores de desenvolvimento, embora a evolução dos salários também dependa de questões como a produtividade da mão de obra”, afirma.

O deslocamento de grandes empresas com espaço limitado para crescer na Grande BH e a influência maior dos reajustes do salário mínimo no mercado de trabalho do interior, tendo em vista as remunerações menores pagas fora da capital, ajudam a entender a evolução maior dos salários, destaca o economista Mário Rodarte, do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese). “Algumas empresas buscam atrair talentos, ou retê-los, incrementando o salário de entrada no mercado formal”, observa.