DNA confirma a identidade
Marcus Antunes Trigueiro permaneceu calado durante depoimento no Departamento de Investigações. Segundo a polícia, ele se limitava a dizer apenas que não responderia às perguntas
A confirmação da identidade do maníaco aconteceu ontem com a divulgação, pela polícia, do resultado do exame de DNA que confirmou que o sêmen encontrado nos corpos de três vítimas é mesmo de Marcus. Mas, para a polícia, ele também é o assassino de outras duas mulheres.
Com o resultado dos exames em mãos, a polícia apresentou o suspeito à imprensa. A mulher dele, com quem Marcus tem um filho de 2 anos. não teve a identidade revelada, também foi presa e será investigada. Ela estava na residência do casal, no bairro Industrial, na hora da prisão e é acusada de vender a terceiros dois dos celulares das vítimas.
O homem que agiu com crueldade e frieza contra mulheres indefesas foi encontrado escondido embaixo da cama. Na casa dele, a polícia achou o revólver usado para render as vítimas e cinco telefones celulares – dois estavam intactos e os outros queimados. Todos eram das vítimas.
Para a equipe que investigou os crimes em série, não há dúvidas de que outras duas mulheres assassinadas com as mesmas características mas sem a confirmação técnica através de exames, também foram alvo do maníaco. Ontem, logo após ser apresentado à imprensa, ele foi levado, por volta de 13h30, para o Centro de Remanejamento de Presos (Ceresp), no bairro São Cristóvão.
Caçado pela Polícia Civil desde novembro do ano passado, Marcus Trigueiro foi indiciado pelos assassinatos de Ana Carolina Assunção, de 27 anos, Maria Helena Lopes Aguilar, de 48, Edna Cordeiro de Oliveira Freitas, de 35, Natália Cristina Almeida Paiva, de 27, e Adina Feitor Porto, de 34. As cinco foram asfixiadas após sofrerem violência sexual.
O maníaco já teve passagem anterior pela polícia e, desde 2005, estava foragido após ser acusado de assalto a mão armada. Nessa ocorrência, ele levou um tiro na barriga. Por complicações do ferimento, desde então, ele usa uma bolsa de colostomia. No fim do ano passado, ele foi baleado novamente, desta vez, na perna, ao fugir de uma blitz.
Com a barba por fazer, penteado estilo topete, vestido com camisa de malha branca, bermuda surfista preta e chinelo, Marcus foi apresentado sob forte aparato policial. Algemado nas mãos e pés, ele ficou de cabeça baixa e em silêncio durante todo o tempo em que era fotografado e filmado pelas equipes de reportagem. A polícia não considerou o caso encerrado. A suspeita é que o maníaco tenha cometido mais crimes. Por isso, as investigações prosseguem.
Taxista
Em 7 de maio de 2005, três homens foram presos por envolvimento na morte de um taxista em Betim. Entre eles, estava Marcus Antunes. O assassinato ocorreu em setembro de 2004. A vítima foi abordada para uma corrida e morta com um tiro no peito após reagir ao assalto. Marcus fugiu.
| ALEX DE JESUS |
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A polícia só conseguiu chegar a Marcus Trigueiro graças à quebra de sigilo telefônico solicitada à Justiça. Com o grampo, a polícia identificou onde ele morava por meio do número de série do celular de duas vítimas. Os aparelhos estavam em uso, apesar da troca dos chips. Um deles era usado pela mulher de Marcus Trigueiro.
O depoimento de uma testemunha também foi essencial para elucidar o caso. Interrogado, o informante contou que o matador pediu a sua ajuda para empurrar o carro da universitária Natália Cristina, morta em 7 de outubro de 2009. O informante fez um retrato falado do suspeito.
Antes disso, segundo o delegado Abelha, foi feito um levantamento de criminosos em Contagem que gerou uma lista com dez suspeitos. Após triagem, a lista caiu para três suspeitos, entre eles, Marcus, que já foi preso em 2005 por assalto a mão armada.
De posse do resultado dos grampos, foi pedido à Justiça uma ordem de busca e apreensão na casa do acusado. (EF).
