Alta de preços atinge também produtos fora da cesta básica

Nos quatro primeiros meses deste ano, o feijão subiu 47%, o arroz ficou 5,5% mais caro e o leite teve alta de 13%. Todos os dias estes produtos aparecem estampados nos jornais entre os que mais contribuíram para a inflação, que até abril foi de 2,81%, em Belo Horizonte. Mas eles não são vilões sozinhos. […]

Nos quatro primeiros meses deste ano, o feijão subiu 47%, o arroz ficou 5,5% mais caro e o leite teve alta de 13%. Todos os dias estes produtos aparecem estampados nos jornais entre os que mais contribuíram para a inflação, que até abril foi de 2,81%, em Belo Horizonte.

Mas eles não são vilões sozinhos. Os produtos complementares também pesaram e muito o bolso do consumidor. Os iogurtes, por exemplo, subiram 7,7%, os refrigerantes ficaram 4,3% mais caros e os alimentos prontosemgeral tiveram aumento médio de 4,85% de janeiro a abril. Levantamento feito pelo Instituto de Pesquisas Econômicas e Administrativas (Ipead/UFMG) mostra que, percentualmente falando, os aumentos dos alimentos básicos foram bem maiores.

Mas na hora de encher o carrinho são os complementares – aqueles que o consumidor não precisa levar – que encarecem mais a conta entre um mês e outro. O analista de sistemas Reginaldo Tolentino, 29, que até meados do ano passado pagava cerca de R$ 300 pelas compras do mês, em abril pagou R$ 450 e ontem, enquanto fazia as compras de maio, revelou que levou dinheiro a mais, só para garantir.

"Uma das coisas que eu percebi que mais subiram de preço foram os biscoitos; eu levo de 15 a 20 pacotes, R$ 0,10 em cada um já faz muita diferença", revela ele, que também reclamou muito do açúcar. Para administrar o orçamento e a inflação, Tolentino tem duas estratégias. Uma é procurar produtos mais baratos, sem abrir mão de qualidade. A outra é pesquisar.

"Antes de vir aqui, eu passei em outros dois supermercados", conta. Obancário Reinaldo Coelho Amorim, 49, também usa essa estratégia. "Eu faço compras por mês, mas estou sempre passando em vários supermercados e memorizo os preços, então sei onde o que eu preciso está mais barato", revela Amorim.

POUCAS PROMOÇÕES.

De acordo com o superintendente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), Adilson Rodrigues, embora os aumentos estejam acontecendo, na realidade eles são aparentes. Ele explica que como o poder de compra da população melhorou, a procura também subiu.

Com isso, já não há mais uma oferta extra de produtos para liquidar e os preços voltam aos seus patamares antigos. "Não é aumento de preço, mas sim recomposição. Mesmo assim o consumidor não precisa se preocuparcomdesabastecimento, pois há oferta suficiente, só não há mais estoques sobrando", justifica Rodrigues.

Ele ressalta que a tendência é de menos promoções, mas de estabilização dos preços. Segundo Rodrigues, umaboa dica é trocar produtos por similares mais baratos. "O brasileiro não tem tanta cultura de trocar os produtos, eles são mais fiéis, mas essa é uma ótima saída", afirma.

No Wal Mart, por exemplo, as linhas de marca própria custam entre 10% e 30% a menos. "Eu não abro mão da qualidade, mas dou preferência a esses produtos", afirma Tolentino.

ALISSON GONTIJO

Prevenido. Acostumado com constantes aumentos, Reginaldo Tolentino levou dinheiro a mais