Câmara de Itabira avalia mudar dias de reuniões para “dar mais eficiência”; público cobra presença de vereadores
Um ponto levantado foi a necessidade de ampliar a presença de vereadores para garantir público durante as prestações de contas dos secretários municipais
Foi liberado para votação no plenário da Câmara Municipal de Itabira, nesta segunda-feira (27), o Projeto de Resolução nº 6/2026, que propõe mudanças no calendário das atividades legislativas, alterando os dias das reuniões ordinárias e das comissões permanentes. A proposta prevê a transferência das reuniões ordinárias para as segundas-feiras, às 14h, enquanto as reuniões de comissões passariam a ocorrer às terças-feiras, no mesmo horário.
De acordo com a justificativa do projeto, a mudança tem como objetivo tornar o processo legislativo mais eficiente e organizado. A ideia é concentrar as atividades de plenário no início da semana, permitindo que as comissões tenham mais tempo para análise técnica das matérias. Segundo o texto, a inversão dos dias pode contribuir para o “amadurecimento” dos projetos, com maior aprofundamento das discussões, emissão de pareceres e possibilidade de ajustes antes da votação final. “A proposta representa um avanço na modernização dos trabalhos legislativos, alinhando o funcionamento interno da Câmara às boas práticas de organização”, destaca a justificativa.
Durante a discussão do projeto, participantes do público levantaram questionamentos sobre o funcionamento das comissões e a presença de vereadores nas reuniões. O jornalista Cosme Ferreira criticou a baixa participação de parlamentares em encontros de comissão e sugeriu a criação de regras mais rígidas de quórum. “Como é que o vereador vai votar um projeto que ele não discute?”, questionou. Cosme também defendeu que a presença dos vereadores nas reuniões de comissão seja obrigatória, para garantir maior debate antes das votações em plenário.
Outro ponto levantado pelo foi a necessidade de ampliar a presença de vereadores para garantir público durante as prestações de contas dos secretários municipais. João Mário de Brito — ex-membro do governo Marco Lage e atual assessor do vereador Elísio Lúcio Martins “Lico do Carmo” (PDT) – disse que, em algumas ocasiões, representantes do Executivo fazem suas apresentações para um número reduzido de parlamentares, o que, na avaliação dele, compromete a fiscalização. “É um absurdo o secretário vir prestar contas para três vereadores”, afirmou.
Em tempo: Nesta segunda-feira foi realizada a prestação de contas da Superintendente da Fundação Cultural “Carlos Drummond de Andrade”, Vanessa Silva de Faria. Somente quatro vereadores assistiram a apresentação: Carlos Henrique de Oliveira (PDT), Júlio César de Araújo “Júlio Contador” (PRD), Lico do Carmo e Hudson Santos, o Yuyu da Pedreira (PSB).
Câmara avalia possíveis ajustes
Diante das críticas, vereadores indicaram que a possibilidade de estabelecer um quórum mínimo para reuniões de comissão pode ser analisada junto ao setor jurídico da Casa.
Apesar disso, parlamentares ressaltaram que o atual regimento interno já define regras mínimas para funcionamento das comissões, especialmente da Comissão de Constituição e Justiça.
Após passar pela reunião de comissões, o Projeto de Resolução nº 6/2026 agora segue para votação em plenário. Caso aprovado, a nova organização das reuniões passará a valer como regra interna do Legislativo.




