Câmara reclama de passividade do Saae quanto a água do Rio de Peixe e recorre ao Ministério Público

Comparação entre a água que chega às torneiras dos moradores e a que é comprada por eles

Câmara reclama de passividade do Saae quanto a água do Rio de Peixe e recorre ao Ministério Público

A polêmica da água tratada pela ETA Rio de Peixe, mais uma vez, foi alvo de debate na Câmara de Vereadores de Itabira. Na última terça-feira, 1º de novembro, o oposicionista Geraldo Torrinha (PHS), presidente da Comissão de Saúde da Casa, leu o ofício de um morador da região atendida por essa estação de tratamento que afirma ter sido hospitalizado com feridas no corpo após ingerir a água. Os legisladores reclamaram da ausência de informações mais concretas e cobraram um posicionamento mais incisivo do Saae e da Vale (que cedeu outorga ao município). O caso deve chegar ao Ministério Público.

O relato do morador chegou à Câmara via Ouvidoria Interna. Geraldo Torrinha leu o documento em plenário e deu início à discussão. Ele comentou sobre diversas reclamações e fez um requerimento verbal para que o presidente do Saae, Ronildo Andrade, fosse convidado a ir à Câmara para explicar o que realmente está acontecendo e se a água que chega à região dos bairros Fênix, Machado, João XXIII e adjacências é própria para o consumo. Já Paulo Soares (PRB) lembrou que o ponto de captação é cedido pela Vale e que, por isso, um representante da empresa também deveria ir ao Legislativo. Os dois requerimentos foram aprovados.

A ETA Rio de Peixe começou a funcionar em março deste ano. A partir de agosto, no entanto, começaram a surgir reclamações quanto à qualidade da água. O líquido chega às torneiras com coloração escura e com odor. Relatos de moradores passaram a dar conta de que aumentou a procura por médicos na região atendida pela ETA. Muitos apelaram para a compra de água mineral.

Também na última terça-feira, uma multidão com quase uma centena de moradores dos bairros afetados se reuniu na Escola Municipal Nico Andrade, no bairro João XXIII, para debater o assunto. Era esperada a presença de representantes da Prefeitura, do Saae e da Vale, mas eles não compareceram. O morador Tiago Camarinha Batista, titular de uma comissão montada pelos consumidores prejudicados, apresentou um laudo enviado pela Secretaria Municipal de Saúde que informa contaminação da água com 0,3 mg/l de manganês. O limite preconizado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) é de 0,1.


Presidente da Comissão de Saúde da Câmara de Itabira, Geraldo Torrinha (PHS)

Passividade

O presidente da Comissão de Saúde da Câmara reclamou da parcimônia do Saae. A ausência de uma informação mais precisa tem irritado os vereadores. “Quais as providências estão sendo tomadas realmente para poder sanar o problema? Porque este é um problema que não pode ser delongado, é um problema de saúde pública”, disse Torrinha, completando que irá mandar o documento enviado por morador para o Ministério Público.

“O Saae simplesmente diz, verbalmente, que não há problema, que é uma água que não traz problemas para a saúde. Mas, na realidade, quando se vai lá nos bairros, o que a gente vê entre os moradores é outra coisa. Nós queremos que o Saae se responsabilize. Que eles atestem que a água está inapta para consumo. E que nos mostre uma análise dessa água. É preocupante. Nós vamos tomar as devidas providências”, completou Geraldo Torrinha.

A comissão de moradores dos bairros afetados quer uma contraprova do laudo apresentado pela Secretaria Municipal de Saúde. A ideia deles também é procurar o judiciário para tentar acelerar os procedimentos. A Câmara espera para a próxima terça-feira, 8 de novembro, a presença dos representantes do Saae e da Vale.