Carreta esmaga carro, explode e mata família na BR-381
Casal e filha morreram carbonizados. populares tentaram apagar as chamas antes da chegada dos Bombeiros, mas não conseguiram
Ainda segundo as testemunhas, o caminhão-baú que seguia no sentido São Paulo fez uma conversão perigosa para entrar em um posto de gasolina. A carreta que vinha logo atrás não conseguiu frear e, após a batida, foi para a pista da esquerda, colidindo com o Uno em que estava a família, que ficou prensado contra a mureta que separa as pistas da Fernão Dias, próximo à Refinaria Gabriel Passos. A carreta ficou por cima do carro. Apesar da violência da batida, os três ocupantes do Fiat Uno – um casal e uma criança – ainda estavam vivos quandom as pessoas começaram a se aproximar.
Moradores da região e pessoas que passavam pelo local tentaram resgatar os passageiros, que ficaram presos às ferragens. Muitos tentavam apagar as chamas com os extintores de seus próprios veículos. "‘Salvem nossa criança’, gritavam eles. Mas não pudemos fazer nada", relatou, visivelmente abalado, o ajudante Franciano de Paula, 32. Ele conta que chegou a pegar na mão do motorista. Com o aumento das chamas e a ocorrência de pequenas explosões, porém, as pessoas que tentavam ajudar foram obrigadas a se afastar. “O que provocou a morte deles foi a explosão da carreta, que incendiou o carro. Tentamos de tudo enquanto o caminhão ainda pegava fogo na cabine”, disse Franciano.
Ainda de acordo com a testemunha, logo após a batida e o incêndio, o caminhão-pipa da Autopista Fernão Dias passou pelo local, mas estava sem água e nada pode fazer. O Corpo do Bombeiros chegou cerca de 20 minutos depois, mas também não foi capaz de evitar a tragédia. O incêndio teria demorado apenas dez minutos para chegar ao carro.
Momentos de desespero
Outra testemunha do acidente, Marcio Costa, informou que vários motoristas desceram de seus carros e tentaram desesperadamente ajudar no combate às chamas com extintores de incêndio. Ele confirmou que a administradora não tinha mesmo água dentro do tanque. “Eles vieram para isso e, quando chegaram, não tinha água dentro do tanque. Não sei se os três mortos teriam sobrevivido se naquele momento as chamas tivessem sido apagadas, até mesmo porque os bombeiros chegaram logo depois. Mas o motorista do carro ainda estava vivo e pedindo socorro”, destacou.
Ouça depoimento da testemunha, gravado pelo repórter fotográfico Nelson Batista, do jornal "O Tempo Betim":
Cinco equipes dos Bombeiros trabalharam no combate às chamas e, junto com a Polícia Rodoviária Federal, no resgate às vítimas.
Revolta e responsabilidade
A falta de água no caminhão pipa da Autopista Fernão Dias revoltou quem passava pelo local. Populares chegaram a cercar o motorista do caminhão para impedir que ele fosse embora. No entanto, o homem conseguiu escapar. Outros funcionários da administradora também estiveram na rodovia. No entanto, eles não quiseram dar declarações.
A Autopista Fernão Dias se eximiu de responsabilidade no ocorrido. A assessoria de imprensa da empresa justificou que o caminhão-pipa que esteve no local havia atendido a dois princípios de incêndio em pontos diferentes da rodovia, nos quais foi necessário o uso de toda a água do veículo. Segundo a administradora, o caminhão parou no local do acidente apenas para tentar ajudar. Assim que verificou a gravidade do incêndio, o motorista do caminhão-pipa definiu que era trabalho para os Bombeiros. A empresa teria sido alertada imediatamente após a batida, às 19h49 e chamado os Bombeiros às 19h52. O primeiro caminhão dos militares chegou ao local às 20h10.
Até o fim da noite, a BR-381 ainda estava interditada no sentido São Paulo. Na faixa oposta, apenas uma pista havia sido liberada. Foram registrados 6 km de congestionamento nos dois lados da pista.
Veja ao lado imagens postadas no Youtube, captadas poucos momentos após o acidente por um internauta.