De portas abertas

Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Catas Altas

De portas abertas

Como já é tradição no mês de maio, centenas de turistas desembarcaram em Catas Altas para mais uma edição da Festa do Vinho este ano. O evento é o maior do município e celebra a principal especiaria de lá: o vinho de jabuticaba. A bebida e a comemoração são dois dos atrativos turísticos da cidade que tem o privilégio de ter como pano de fundo a suntuosa Serra do Caraça. O cardápio de opções para os visitantes é repleto e de grande variedade.

Catas Altas foi emancipada em dezembro de 1995, quando deixou de ser um distrito de Santa Bárbara para se tornar um município. De acordo com o último Censo do IBGE, em 2010, a cidade possui pouco mais de 5,5 mil habitantes. São apenas 17 anos com o direito de tomar as próprias decisões, mas a caçulinha da região tem muita história para contar. Afinal, lá se vão mais de 300 anos desde que os primeiros habitantes começaram a chegar, atraídos pelas lavras de ouro.

“Catas Altas pode ser decifrada como o encontro da história e das belezas naturais, o que revela a sua singularidade”, sintetiza o prefeito Saulo Moraes de Castro (PT). Para ele, a preservação do patrimônio deve ser uma meta constante da administração municipal. “Cuidamos do nosso patrimônio histórico criando programas de incentivo à conservação dos imóveis tombados, desenvolvendo mecanismos de conscientização, valorização e revitalização do patrimônio cultural, histórico e artístico municipal”, comenta.

Patrimônio e turismo

Quando se anda por Catas Altas, especialmente no Centro Histórico do município, a impressão que se tem é de uma volta ao passado. A tranquilidade e os aspectos da arquitetura são as causas disso. A Matriz de Nossa Senhora da Conceição é um bom exemplo. A igreja começou a ser construída em 1729, com padrões audaciosos para aquela época, e até hoje está inacabada. Por dentro, a decoração tem partes em ouro e talhas brancas que não receberam o douramento. Do altar-mor, o Cristo Crucificado atribuído a Aleijadinho aparece com a cabeça erguida, olhando à frente. A expressão não é de dor, mas de vitória.

O conjunto arquitetônico barroco formado não só Matriz, mas também por casas antigas ao redor da praça Monsenhor Mendes, entre outras construções, traz para o presente a história do passado da pequena e bucólica cidade. Para proteger este rico acervo histórico, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) tombou todo o perímetro urbano de Catas Altas. O conjunto arquitetônico e paisagístico do Santuário do Caraça, a praça Monsenhor Mendes e a Igreja Nossa Senhora da Conceição são tombados pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O Parque do Caraça, de propriedade da Província Brasileira da Congregação da Missão, foi transformado em Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN).

Catas Altas fica no caminho da Estrada Real e pertence ao Circuito do Ouro. A cerca de seis quilômetros da sede, a localidade de Morro D’Água Quente também preserva a história, com seu casario, becos e muros de pedras. Uma atração imperdível é Bicame de Pedras. Edificado em 1792, o aqueduto tinha a função de conduzir a água da Serra do Caraça para lavagem do ouro extraído das minas da região. O muro tem mais de 100 metros, além dos fragmentos encontrados nas matas locais.

As belezas naturais fazem do ecoturismo um dos principais atrativos de Catas Altas. A cidade oferece excelentes opções para prática de escaladas, caminhadas e rapel. Belas cascatas, como a cachoeira do Meio e a do Maquiné, e piscinas naturais são as opções para quem busca tranquilidade. Para atender ao turista, no centro da cidade estão lojas que expõem o artesanato local. Catas Altas conta com 12 pousadas, uma área de camping, oito restaurantes e uma cervejaria, destacando- se as comidas mineira, caseira e exótica.

Tranquilidade mantida

Apesar de o turismo ser uma importante fonte de renda para o município, a principal atividade econômica em Catas Altas é a mineração. Na cidade, atuam empresas como Vale, Samarco e Pedreira Um. No entanto, mesmo com os impactos que são comuns a esse tipo de atividade extrativista, a tranquilidade resiste no município.

“A produção das mineradoras gera impostos e empregos, o que movimenta a economia e a arrecadação municipal. O desenvolvimento de Catas Altas é o objetivo da administração municipal, assim como a preservação das belezas naturais. Para isso acompanhamos de perto toda e qualquer atividade mineral e só é aprovada a exploração após a certificação dos riscos”, diz o prefeito Saulo Moraes.

As atividades mineradoras já trazem reflexos econômicos. Em Catas Altas, entre 2009 e 2010, o Produto Interno Bruto oscilou positivamente 327% de acordo com dados apresentados pelo IBGE no fim do ano passado. Em números absolutos, a soma das riquezas do município passou de R$ 72,5 milhões para R$ 309,8 milhões. O município liderou o ranking estadual de crescimento.

A missão é fazer com que esse desenvolvimento econômico não agrida o que a cidade conserva de especial, que são suas belezas naturais, o patrimônio histórico, e, especialmente, a sua tranquilidade. “Catas Altas é uma cidade histórica, que conta a história de cada um dos catas-altenses. Preservar, conservar e revitalizar o conjunto arquitetônico tombado é garantir que a beleza da nossa cidade e da nossa história permaneça viva”, afirma o prefeito.

Matéria publicada na edição 245 da Revista DeFato