Exclusivo: Lívvia Bicalho procurou a polícia antes de ser assassinada

Documento obtido por DeFato narra a trajetória da cantora, em João Monlevade, horas antes de ser assassinada

Exclusivo: Lívvia Bicalho procurou a polícia antes de ser assassinada
O crime, de grande repercussão, ocorreu no início da tarde desta quarta-feira. Lívvia deixou dois filhos: uma jovem, de 19 anos, e um garoto, de 9. Foto: Reprodução/Álbum pessoal

A cantora e influenciadora novaerense Lívvia Bicalho, 37, chegou a procurar a Polícia Militar na manhã desta quarta-feira (21), horas antes de ser assassinada pelo companheiro, Rafael Ribeiro Pinto, 39 anos, que se matou após o crime. A vítima relatou à PM ter recebido ameaças do namorado e ter medo de voltar para o apartamento onde vivia com ele no bairro JK.

O Grupo DeFato teve acesso ao boletim de ocorrência registrado pela manhã sobre o caso. O documento narra que Lívvia foi primeiro até o presídio de João Monlevade, no bairro Carneirinhos, pedir ajuda. Ela teria confundido o presídio com a Delegacia de Polícia Civil e ligou para o número de emergência 190 em apelo para ser atendida.

O policial que registrou o boletim relata que Lívvia chorava bastante e estava transtornada. A PM então pediu à vítima para que fosse até a sede do quartel, no bairro Belmonte. Eram 11h30 da manhã, segundo anotado no boletim.

Filha confirma

A PM também foi procurada pela filha de Lívvia, de 19 anos. Ela disse que a mãe vinha sendo perseguida pelo namorado, mas pediu que a polícia não fosse até o apartamento do casal, temendo as ameaças feitas por Rafael Ribeiro.

Lívvia acionou o 190 em seguida. Ela estava no posto policial do bairro Santa Bárbara. Uma equipe da corporação a atendeu. Lívvia relatou desentendimentos com Rafael. Questionada pela PM sobre ter sofrido agressões, Lívvia negou, mas disse que o namorado a deu prazo de 48 horas para retirar seus pertences do apartamento.

A volta para casa

A vítima disse à PM ter medo de voltar para casa. No boletim de ocorrência, a corporação narra que ofereceu a Lívvia escolta policial para buscar os pertences em casa. Lívvia disse que não conseguiu contratar um frete para esta quarta-feira, 21, feriado, e que iria para a casa de uma amiga.

A PM então orientou Lívvia a ir para a residência da amiga e não ter contato com o companheiro.

A corporação militar enviou, então, uma equipe ao endereço do casal, à rua Dona Nenela, nº 145, no bairro JK, em busca de Rafael Ribeiro Pinto. A PM narra que quando chegou ao local, Rafael estava na sacada do apartamento, no quarto andar.

Os policiais pediram a Rafael que descesse, e ele disse que estava tudo resolvido. Para a surpresa dos militares, Lívvia estava junto do namorado e, ao lado dele, negou ter acionado a corporação. Os policiais deram ordem para que ambos descessem à portaria do prédio.

Eles desceram. Lívvia foi em direção aos policiais e Rafael aguardou no interior da portaria. A influenciadora contou aos policiais que embora planejasse ficar na casa da amiga, precisava de roupas e outros pertences e acabou voltando ao apartamento.

Testemunhas

A polícia perguntou a Rafael se estava tudo bem e se Lívvia poderia entrar. Ele assentiu. Havia duas testemunhas, uma delas era irmão do namorado de Lívvia. O casal subiu para o quarto andar e os militares foram embora. Neste momento, é encerrado o relato da PM no boletim de ocorrência.

Pouco depois das 13h, Lívvia Bicalho foi morta com um tiro na cabeça, no interior do apartamento 401. Conforme a polícia, Rafael Ribeiro puxou o gatilho contra a própria cabeça após matar a companheira.

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