Grupo reivindica mais serviços de proteção à mulher em Itabira

Apesar de conquistas, assistentes sociais lamentam falta de políticas públicas no enfrentamento à violência

Grupo reivindica mais serviços de proteção à mulher em Itabira
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No tema do combate à violência de gênero, Itabira teve pelo menos duas conquistas recentes: a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher, implantada há quase quatro anos; e a Comissão de Enfrentamento à Violência Doméstica, criada por meio da Lei Municipal 4.641, em 2013.

No entanto, há muito a ser feito no assunto, entendem as assistentes sociais Cláudia Assis e Maria de Fátima Alves, do Centro Estadual de Atenção Especializada (antigo Viva a Vida). Integrantes da Comissão de Enfrentamento, elas citam pelo menos duas iniciativas que são batalhadas por profissionais da área – cadeias de custódia e grupos terapêuticos de atendimento ao agressor na cidade.

Rede

A cadeia de custódia é uma rede de atendimento e se refere às estruturas específicas e seguras nos hospitais e unidades de saúde, para guardar coletas das vítimas de violência sexual, por exemplo. O objetivo é que a mulher não tenha que se expor duas vezes, fazendo a coleta dos indícios em um só lugar. Esses indícios, inclusive, são provas criminais.

Um decreto nacional publicado em 2013 determina a implantação dessas cadeias integrando segurança pública e instituições de saúde. Na prática, pouca coisa saiu do papel. “Ainda não conseguimos fechar um fluxo bem efetivo evitando a ‘revitimização’ da mulher que sofreu a agressão”, lamenta Cláudia.

Para tornar a rede uma realidade é necessário adquirir os kits para exames, geladeiras especiais e, além do mais, capacitar médicos e enfermeiros. Os investimentos não são altos, mas parceria precisa envolver poder público, segurança pública e a inciativa privada. “Trata-se de uma coleta que pode ser simples, mas que requer cuidados e precisa de espaço específico para o resguardo do material”, destacou, por sua vez, Maria de Fátima.

Maria de Fátima Alves e Cláudia Assis. Foto: Wesley Rodrigues/DeFato 

Grupos de atendimento

A outra reivindicação citada por elas são grupos de reflexão para agressores de mulheres. Diferentemente do auxílio às vítimas, a meta, nesse ponto, é falar de violência doméstica com os próprios autores.  

O serviço foi institucionalizado no município, mas, a questão é leva-lo para a prática, diz Cláudia Assis. “Uma das metas é começar esse trabalho ainda neste ano”.

Nesse tipo de ação, os agressores são encaminhados para os grupos por determinação da Justiça ou vontade própria. A medida é uma forma de “educar” sobre a violência e envolve profissionais como psicólogos e assistentes sociais. “Não adianta tratarmos a vítima se o agressor também não recebe esse atendimento”, sinaliza Cláudia.

Novamente, são necessárias políticas públicas para efetivar o serviço.