Maternidade do HNSD pode ser fechada a partir de março

Unimed Itabira mobiliza categoria para manter a unidade materno-infantil e evitar desassistência dos planos de saúde

Maternidade do HNSD pode ser fechada a partir de março
Foto: Divulgação
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A unidade materno-infantil do Hospital Nossa Senhora das Dores (HNSD) poderá ser fechada a partir de 31 de março deste ano. O hospital comunicou à operadora Unimed que o serviço será encerrado na data por inviabilidade financeira. A cooperativa Unimed Itabira, por sua vez, afirma que mobiliza esforços para manter o setor e evitar seus reflexos negativos à população.

A maternidade do HNSD atende à saúde suplementar, isto é, os planos de saúde e os atendimentos privados. De acordo com a Unimed, em 2020 o setor registrou média de 43 partos por mês, sendo o número inviável ao custeio do serviço. “O HNSD nos apresentou uma planilha com déficit aproximado de R$ 90 mil/mês na unidade”, cita Virgilino Quintão Tôrres Cruz, médico ginecologista e presidente da Unimed Itabira.

O déficit, aponta o representante, se dá por toda a estrutura necessária ao funcionamento da unidade. “Para manter a maternidade funcionando, o HNSD tem o custo com as escalas de plantão de obstetrícia, pediatria e anestesia e com os demais profissionais de saúde, além do custo com insumos necessários à operação”, informou ele, a DeFato.

O hospital comunicou o encerramento do serviço à Unimed em ofício datado de 28 de dezembro de 2020. A correspondência sucedeu uma série de reuniões e correspondências sobre o tema. “Estamos em negociação com todos os atores envolvidos – HNSD, profissionais médicos, operadoras de planos de saúde contratantes – para tentar evitar o fechamento da unidade materno-infantil”, disse o presidente da Unimed, nesta segunda-feira (8).

Sem a maternidade, usuários dos planos de saúde em Itabira terão que buscar assistência em João Monlevade ou Belo Horizonte, ou na região do Vale do Aço. Outra opção é o serviço público, na maternidade do Hospital Municipal Carlos Chagas (HMCC), instituição 100% SUS de Itabira.

Impasse se arrasta há anos

Manter a maternidade do HNSD se tornou um desafio desde 2016. Naquele ano, criou-se duas maternidades no município, uma vez que os atendimentos do Sistema Único de Saúde (SUS) foram transferidos do HNSD para o HMCC, atendendo Termo de Ajuste de Conduta (TAC) celebrado entre Prefeitura e o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG).

Em 2017, a Secretaria Municipal de Saúde tentou voltar com a maternidade para o hospital de origem, por causa do gasto elevado em se ter duas maternidades separadas. A tentativa não avançou. Houve pressão da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), que administra o HMCC, e questionou os impactos da mudança, como a dispensa de pessoal.

A FSFX informa, por meio de seu site, que a maternidade SUS do HMCC tem 72 colaboradores, incluindo médicos obstetras, pediatras, anestesistas, enfermeiros, técnicos em enfermagem e fonoaudióloga.

Com o quadro citado, o setor materno-infantil tem capacidade para realizar cerca de 150 partos por mês. Ocorre que, conforme a Unimed Itabira, uma média de 92 partos/mês foram realizados na unidade SUS em 2020.

 

Cooperativa reivindicou maternidade mista

Em julho de 2016, a Unimed oficiou o Ministério Público sobre a divisão da maternidade e apelou para que o assunto fosse reconsiderado. A cooperativa anteviu que manter a maternidade do HNSD somente com os atendimentos dos convênios se tornaria insustentável.

Um trecho do ofício argumentava o porquê de se manter uma única maternidade. “A maternidade do HNSD funciona hoje com atendimento e financiamento mistos (SUS e saúde privada). Esta parceria permite remuneração atrativa aos profissionais que estão na escala de plantão e dá segurança assistencial a pacientes do SUS e privados. Todos os médicos da escala, atualmente, são especialistas e prestam a mesma assistência a todos. Além da segurança na assistência, o modelo atual proporciona um financiamento mais equilibrado e seguro para a instituição (Hospital Nossa Senhora das Dores)”.

 

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