Operação contra crime organizado mira setor de combustíveis em BH, Região Metropolitana e outros quatro estados

Ação cumpre mandados contra o PCC em Minas, São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro para apurar esquema no setor de combustíveis

Operação contra crime organizado mira setor de combustíveis em BH, Região Metropolitana e outros quatro estados
Foto: Reprodução/Tomaz Silva/Agência Brasil

Uma operação da Receita Federal e do Ministério Público de São Paulo cumpriu mandados em Minas Gerais e outros quatro estados nesta quinta-feira (28) para investigar um esquema de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e adulteração de combustíveis atribuído ao Primeiro Comando da Capital, o PCC. Em Minas, os alvos ficam em Belo Horizonte e Nova Lima, na Região Metropolitana. 

Segundo as informações divulgadas pelos órgãos envolvidos, foram cumpridos mandados em empresas da capital e contra uma pessoa física no município vizinho. A ação, chamada Fluxo Oculto, é uma nova fase da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do crime organizado no mercado de combustíveis, em instituições de pagamento e em estruturas financeiras usadas para ocultação de recursos. Também há mandados em São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

Ao todo, a operação cumpre mandados de busca e apreensão nos cinco estados. Os números divulgados variam entre 55 e 59 mandados, conforme os órgãos e veículos que acompanham a ação nesta manhã. A força-tarefa tem apoio de Gaecos de Ministérios Públicos estaduais, além da Receita Federal e outros órgãos de fiscalização.

Um dos focos da investigação são seis fintechs que, segundo os investigadores, funcionariam como uma espécie de banco paralelo do esquema. Essas instituições teriam sido usadas para movimentar recursos entre distribuidoras, postos de combustíveis e fundos de investimento ligados à organização criminosa.

As apurações indicam que as fintechs movimentaram mais de R$26 bilhões entre 2022 e 2025. A suspeita é que a estrutura financeira tenha sido usada para dificultar o rastreamento do dinheiro, fazer compensações internas e ocultar a origem dos valores.

A operação também mira a suspeita de adulteração de combustíveis com uso de nafta petroquímica. Conforme a investigação, empresas de fachada simulavam compras do produto para fins industriais, mas a substância teria sido desviada para terminais, distribuidoras e postos.

Somente esse núcleo teria causado prejuízo estimado em cerca de R$200 milhões em tributos sonegados em dois anos. Também são investigados fundos de investimento usados para ocultação patrimonial, com patrimônio estimado em R$205 milhões.

A Receita Federal informou que encontrou indícios de movimentações em dinheiro vivo e operações com criptoativos. Uma das fintechs investigadas teria recebido mais de R$1 bilhão em espécie entre 2022 e 2024.