Um ano após tragédia em Santa Maria, boates de Minas ainda oferecem riscos

Mesmo cumprindo a lei, no que diz respeito à segurança, as boates e casas noturnas de Belo Horizonte e de Minas Gerais ainda oferecem uma série de riscos aos frequentadores, segundo alertam especialistas. Escadas, muito acabamento em madeira – material combustível – e a sinalização no alto das paredes são alguns dos problemas apontados por […]

Um ano após tragédia em Santa Maria, boates de Minas ainda oferecem riscos
Mesmo cumprindo a lei, no que diz respeito à segurança, as boates e casas noturnas de Belo Horizonte e de Minas Gerais ainda oferecem uma série de riscos aos frequentadores, segundo alertam especialistas. Escadas, muito acabamento em madeira – material combustível – e a sinalização no alto das paredes são alguns dos problemas apontados por engenheiros de segurança. Para eles, essas deficiências revelam que a legislação não passou por mudanças significativas no ano que se passou após a tragédia na boate Kiss e precisa ser aprimorada.
 
“A legislação tem brechas e, por mais que as boates estejam regularizadas, elas oferecem riscos”, avaliou o engenheiro de segurança e professor aposentado da Universidade Federal de Viçosa (UFV) José Martins. O também engenheiro de segurança Santelmo Xavier diz que o ideal é que as boates não tivessem escadas e que as sinalizações de emergência fossem colocadas no chão. “A maioria das boates da capital tem sinalização no alto. Ela fica comprometida em caso de fogo, porque a fumaça tende a subir”, explicou o engenheiro.
 
Xavier visitou duas boates da capital junto com a reportagem de O TEMPO: o Alambique, no bairro Estoril, na região Oeste da capital, e a Circus, na região Centro-Sul. A Circus está dentro da lei. Já o Alambique apresentou uma irregularidade apesar de estar seguindo a maior parte das regras: alguns fios não estavam dentro de dutos, o que pode trazer riscos. O revestimento de madeira e o teto de palha também não são adequados, mas estão dentro da norma.

Um dos sócios do Alambique, Ademir Pinto, afirmou que os problemas na fiação serão corrigidos pela casa o quanto antes e que toda a madeira do espaço recebeu um líquido antichamas. “A casa tem segurança, a prova é que no ano passado, quando houve um incêndio na creperia ao lado do Alambique, fomos nós que apagamos o fogo”, contou.

Já a boate Circus, segundo o especialista, tem um bom material isolante e não apresenta grandes riscos. O dono do local, Gustavo Jacob, contou que fez algumas adequações no espaço em 2013. “Colocamos barras antipânico nas portas”, contou.

Outro lado. O Corpo de Bombeiros tem uma comissão que avalia reajustes na a Lei de Segurança Contra Incêndio e Pânico do Estado (14.130/2001). O assessor de imprensa dos Bombeiros, capitão Frederico Pascoal, defende que a legislação de Minas Gerais é uma das melhores do país. “O trabalho deve ser feito junto com os donos das boates que também precisam se preocupar com a segurança”. Para funcionar, as boates precisam apresentar um plano de prevenção contra incêndios e seguir uma série de requisitos de segurança que variam de acordo com a capacidade de público.


Balanço
Vistorias. Em 2013, 264 casas noturnas foram vistoriadas em BH. Dessas, 23 foram interditadas, nove seguem fechadas e 14 se regularizaram. Foram aplicadas 69 multas e 136 advertências.

Saiba mais
Lei. Dois projetos de lei criados por vereadores de Belo Horizonte dependem apenas da sanção do prefeito Marcio Lacerda para entrar em vigor. 

Sinalizadores. O PL 108/13, de autoria do vereador Juninho Los Hermanos, proíbe o uso de <CW-35>equipamentos pirotécnicos e sinalizadores em locais como boates, teatros e casas de show sem autorização.

Shows pirotécnicos. O PL 458/13, do Dr. Nilton, regulamenta a utilização dos artefatos, a realização de espetáculos pirotécnicos em todos os espaços do município e determina que eles precisam da autorização dos bombeiros para acontecer. (Natália Oliveira/ O Tempo)