Vale descarta barragens em atividades pós-exaustão das minas de Itabira

A Vale já anunciou que pretende utilizar as usinas de beneficiamento de Itabira para tratar o minério de ferro produzido em outras cidades do Quadrilátero Ferrífero depois que as minas locais se exaurirem, o que é previsto para 2028. Agora, a empresa detalha que essa nova fase dispensará o uso de barragens. O mais provável […]

Vale descarta barragens em atividades pós-exaustão das minas de Itabira
Mineração em Itabira está prevista até 2028 – Foto: DeFato||

A Vale já anunciou que pretende utilizar as usinas de beneficiamento de Itabira para tratar o minério de ferro produzido em outras cidades do Quadrilátero Ferrífero depois que as minas locais se exaurirem, o que é previsto para 2028. Agora, a empresa detalha que essa nova fase dispensará o uso de barragens. O mais provável é de que o rejeito seja filtrado e empilhado dentro das cavas já existentes.

As informações foram passadas pelo gerente de Meio Ambiente da Vale, Rodrigo Amaral, durante reunião da Associação dos Municípios Mineradores de Minas Gerais e do Brasil (Amig), em Itabira, na semana passada. O executivo afirmou que a Vale não tem planejamento para construir novas barragens no país, a não ser concluir duas que já estão com as obras em andamento: a do Torto, entre Barão de Cocais e São Gonçalo do Rio Abaixo, e Maravilhas III, em Nova Lima.

“Para Itabira, uma das soluções que nós estamos pensando é instalar uma estação de filtragem, retirar a água e empilhar o rejeito dentro das cavas”, comentou Rodrigo Amaral, ao responder uma pergunta do ex-presidente da Acita, Eugênio Müller. A técnica é conhecida como dry stacking. Até a exaustão, no entanto, o uso de barragem continua sendo necessário em Itabira. Para isso, a estrutura de Itabiruçu passa por processo de alteamento.

Gerente de Meio Ambiente da Vale, Rodrigo Amaral, participou de evento da Amig em Itabira – Foto: Rodrigo Andrade/DeFato

Cenário pós-exaustão

A Vale investiu cerca de 3,9 bilhões de dólares no início desta década em Itabira para adaptar as usinas de Cauê e Conceição para que sejam capazes de beneficiar o minério extraído na cidade, que tem baixo teor de ferro. As estruturas são consideradas umas das mais modernas utilizadas pela empresa, o que viabiliza a continuidade de uso mesmo após a exaustão das minas locais. O plano, então, é trazer o produto extraído em outros municípios para ser beneficiado Itabira.

Com as barragens da cidade praticamente no limite e depois das tragédias em Mariana e Brumadinho, a mineradora nem cogita dar continuidade a esse modelo em Itabira. Segundo Rodrigo Amaral, as estruturas de rejeito serão descaracterizadas a partir da exaustão das minas. Ele não detalhou, no entanto, quanto tempo esse processo levaria.

Exemplo de empilhamento do rejeito após filtragem – Foto: Divulgação

Investimentos no Brasil

Em meados de maio, a Vale anunciou investimentos de R$ 11 bilhões nos próximos cinco anos para instalar e ampliar o uso do processamento a seco em suas operações no Brasil. O projeto da empresa é elevar o índice de processamento sem utilização de barragens no país de 60 para 70%. Ainda segundo a mineradora, é mais fácil adotar o tratamento sem água nas unidades onde o teor de ferro do minério é mais alto. Em Carajás, por exemplo, onde o processamento a seco é considerado case, a commodity extraída chega a 64% de ferro.

“Agora, nós estamos trocando as rodas com o carro andando. Minas Gerais produz uma quantidade muito grande de rejeitos, o que demanda mais de uma tecnologia para resolver. O que temos desenvolvido é alocar o material dentro das cavas, reaproveitar ao máximo o bem material, investindo em processamento à umidade natural e no processamento à seco”, comentou Rodrigo Amaral.

De acordo com o gerente de Meio Ambiente, as unidades da Vale no estado produzem até 90 milhões de metros cúbicos de rejeitos por ano. Desse total, 70% é areia fina e 30% argila.