Amigos que abandonaram brasileira no deserto comemoram chegada aos EUA

Lenilda Oliveira fazia a travessia ilegal para entrar nos Estados Unidos com amigos de infância quando foi largada sozinha, sem comida e água

Amigos que abandonaram brasileira no deserto comemoram chegada aos EUA
Foto: Reprodução / Arquivo pessoal

Na última semana, a brasileira Lenilda Oliveira foi encontrado morta no deserto próximo à cidade de Deming, no Novo México (EUA). O irmão dela, Leci Pereira, contou que os amigos de infância que a acompanhavam na travessia ilegal pela fronteira norte-americana, a abandonaram sem água ou comida. Mas, no dia em que o corpo da brasileira foi achado, eles promoviam uma comemoração por terem entrado nos EUA.

Leci explicou que teve contato com eles, os culpou pelo que aconteceu com a irmã e cobrou explicações. Segundo ele, os três reconheceram que a deixaram à própria sorte, mas isso não impediu uma comemoração. “Eu torço muito para que eles sejam punidos um dia. Eram todas pessoas conhecidas, amigos de infância. No dia em que acharam o corpo, eles estavam lá comemorando num grupo de WhatsApp”, afirmou.

Ele reforçou que a irmã morreu buscando dar uma vida melhor à sua família. “Ela queria ser alguém. Mesmo sendo uma enfermeira formada, ela ganharia mais trabalhando de faxineira para os outros lá nos EUA”, desabafou.

Leci detalha que ele e outro irmão pediram para Lenilda não fazer a travessia, mas ela ganhou mais coragem por estar acompanhada por amigos de infância.

“Eu fico revoltado porque acho que a gente não pode abandonar nem um animal, que é crime. Como podem abandonar uma pessoa? Ela confiou nos companheiros, ficaram 30 dias juntos numa casa, ela mandava vídeo toda feliz, e na hora que ela mais precisou deixaram ela e foram embora. Imagina você sozinha no deserto olhar e ver que os colegas foram embora, que está sozinha, e vai morrer. É triste. Essa é a minha revolta”, confessa Leci.

Vaquinha para traslado

Nas redes sociais, as filhas de Lenilda, ainda muito abaladas, criaram vaquinhas, tanto no Brasil, quanto nos EUA, onde pedem ajuda para que consigam repatriar e enterrar o corpo da mãe. Até esta sexta-feira, já tinham conseguido arrecadar R$ 6 mil, com ajuda de quase cem pessoas.

Segundo Leci, no entanto, que tem lidado com as questões burocráticas junto a uma empresa de imigração que contratou, a tendência é que o corpo da irmã ainda demore a ser liberado pelo IML local. “A gente não sabe quando vai ser liberado. Vamos ter que esperar o laudo da polícia ser concluído. Todo mundo de pé e mão quebrados, sem saber o que fazer, mas temos que nos apoiar”, encerra.

MAIS NOTÍCIAS