Reunião da Câmara de Itabira tem embate entre oposição e defensores do governo

Sem novidades na votação de projetos de lei, a reunião da Câmara de Vereadores teve críticas e defesas aos 100 primeiros dias de Marco Antônio Lage à frente da Prefeitura de Itabira

Reunião da Câmara de Itabira tem embate entre oposição e defensores do governo
Foto: Reprodução/Internet
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Quem acompanhou a reunião ordinária da Câmara Municipal de Itabira, nesta terça-feira (20), poderia imaginar um encontro morno. Afinal, não haviam novidades na pauta de votação, que contava somente com projetos de lei em segunda discussão. Porém, ao final do encontro, oposição e defensores do governo protagonizaram uma acirrada discussão sobre os primeiros 100 dias da gestão Marco Antônio Lage (PSB) na Prefeitura de Itabira.

O vereador Neidson Dias Freitas (MDB), que é oposição a atual administração municipal, aproveitou para manifestar a sua opinião sobre o início do governo Marco Antônio Lage. Para ele, até o momento a Prefeitura de Itabira não apresentou um trabalho sólido e tem se preocupado mais em lançar críticas à gestão anterior, que tinha o ex-prefeito Ronaldo Lage Magalhães (PTB) à frente.

O principal questionamento de Neidson Freitas foi em relação a escolha do secretariado municipal, que recentemente teve seis mudanças. Segundo o vereador, essas alterações evidenciam um erro do prefeito ao montar a sua equipe.

“Aconteceram vários erros na escolha da equipe para gerir a nossa cidade. Tanto que o governo precisou fazer várias substituições, como a secretária de Saúde que não teve a capacidade de permanecer na sua pasta; e o presidente do Saae [Serviço Autônomo de Água e Esgoto], que teve a audácia de vir em uma reunião da Câmara falar que gostaria de saber qual a solução para a falta de água em Itabira, então mostrou que ocupava um cargo do qual não entendia nada”, avaliou Neidson Freita.

O emedebista, ainda, questionou a forma como Marco Antônio Lage promoveu as mudanças no primeiro escalão da Prefeitura de Itabira, quando optou por remanejar os profissionais da sua equipe em vez de trazer novas pessoas.

“O que preocupa nessas substituições é que o prefeito está apenas trocando de lugar. Então se uma pessoa não é capaz de administrar o Saae, ela será capaz de ir trabalhar na Secretaria de Desenvolvimento Econômico? Pra dar uma solução para a cidade? Será que a preocupação é com a competência ou é em garantir o emprego dos apoiadores do prefeito?”, questionou Neidson Freitas.

Recentemente, a Prefeitura de Itabira anunciou que Eliana Horta pediu exoneração da Secretaria de Saúde e foi substituída por Luciana Carmem Sampaio. O procurador jurídico, Francisco Belgo, também optou por deixar o seu cargo, dando lugar para o advogado Luiz Edson Bueno Guerra.

Além disso, Gabriel Quintão, que ocupava a Secretaria Municipal de Governo, foi substituído pelo jornalista Márcio Magno Passos. Quintão passou a responder pela Assessoria de Gestão, Planejamento e Metas.

A mudança na Secretaria de Governo resultou em outras mexidas no secretariado municipal. O psicólogo Maurício Guimarães Mendes, que era o titular na Assessoria de Gestão, Planejamento e Metas, assumiu a Secretaria Municipal de Auditoria Interna e Controladoria.

Já a economista Karina Rocha Lobo, que respondia pela Auditoria Interna e Controladoria, comandará o Saae — que era chefiado pelo empresário José Antônio Lopes, que foi designado para um cargo na Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia, Inovação e Turismo.

Outro lado

Em resposta ao posicionamento de Neidson Freitas, o presidente do legislativo itabirano — e correligionário do prefeito Marco Antônio Lage —, Weverton Leandro Santos Andrade “Vetão” (PSB) ponderou que a pandemia de Covid-19, que tem a sua pior fase em Itabira neste início de 2021, acaba por limitar o trabalho da atual gestão, que precisa lidar com a crise causada pelo novo coronavírus.

Ele também destacou algumas das ações promovidas pela atual administração municipal, como a reativação de leitos que, segundo Vetão, foram desativados pelo ex-prefeito Ronaldo Magalhães — de quem Neidson Freitas foi líder de governo na legislatura passada.

“É praticamente covardia falar que um governo não tem feito aquilo que se propunha com 100 dias de gestão, quando nesses 100 dias você tem que enfrentar os impactos da Covid-19. É importante ressaltar que esse governo, que falaram que não fez nada, fez sim: reativou leitos de UTI, que o governo passado, logo após perder as eleições, desativou”, ressaltou Vetão.

“O prefeito [Marco Antônio Lage] também paralisou a cidade no momento mais caótico [da pandemia] que o município vivenciava, enquanto o governo passado teve a irresponsabilidade de fechar leitos e de parar de tomar medidas contra a Covid-19 enquanto o nosso município ainda estava na onda vermelha”, completou Vetão.

O líder do governo Marco Antônio Lage na Câmara de Itabira, vereador Juber Madeira (PSDB), também citou realizações da atual administração neste início de ano. “Nós aprovamos hoje um programa de transferência de renda para uma cidade que apesar de ter alta arrecadação, tem muita gente vivendo na miséria. Foi esse prefeito, que está a 100 dias, que criou esse programa. Foi esse mesmo prefeito que na semana passada entregou mais dez leitos de UTI e entregou, recentemente, duas viaturas para a Polícia Civil”, defendeu.

Projetos de lei

Como na semana passada não aconteceu a reunião de comissões, devido a falta de quórum dos membros da Comissão de Legislação, Justiça e Redação, não foram inclusos novos projetos de lei para discussão e votação na reunião desta terça-feira.

Dessa forma, somente proposições em segunda discussão foram apreciadas e aprovadas pelos vereadores, como era esperado. São elas: projeto de lei nº 12/2021, que dispõe sobre o prazo de validade de laudo médico-pericial que atesta Transtorno do Espectro do Autismo e outras deficiências; projeto de lei nº 14/2021, que trata do atendimento preferencial aos portadores de Lúpus; e projeto de lei nº 15/2021, que institui a Política Público Municipal de Combate à Pobreza e Geração de Renda.

Também foram aprovados o projeto de lei nº 16/2021, que declara de utilidade pública a Associação dos Moradores e Quilombolas da Comunidade Rural de Capoeirão e Região; e o projeto de lei nº 17/2021, que dá nova redação ao artigo 2º da Lei nº 4.904 de 2007.

Dois projetos de resolução receberam aval positivo dos vereadores: nº 8/2021, que aprova os relatórios contábeis da Câmara de Itabira do mês de fevereiro de 2021; e nº 9/2021, que transfere bens à Prefeitura de Itabira.

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